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Duda Maia e o processo de criação de movimento

Durante o processo de pesquisa de NORA nós tivemos conosco a preparadora corporal e diretora de movimento DUDA MAIA que auxiliou as atrizes na verticalização da pesquisa corporal em torno da questão da mulher.

A Manu Campos diretora do WEBDOC NORA acompanhou tudo e fez esse video pra vocês conhecerem um pouco de como foi esse trabalho!

 

Espero que vocês gostem, deem sugestões e comentem aqui embaixo!

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Ciclo de Conversas com Dani Amorim

Escrito por Patricia Vazquez

 

Daniela Amorim diretora de Teatro, atriz, preparadora corporal e programadora. Co-criadora do CARNE, projeto de instalação e performance que foi realizado no CCBB em 2014 que teve como base da pesquisa o tripé maternidade, corpo e envelhecimento da mulher. Criadora e diretora artística com Joelson Gusson, do projeto _Entre.

 

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Daniela abriu o ciclo de conversas sobre feminismo dividindo conosco sua experiência como performer e colocando a questão da mulher através do corpo. Teve como base para a conversa sua pesquisa, trecho de performances em torno do tema e em seguida abrindo para perguntas.

 

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Discutimos a questão da mulher e feminismo nesse dia a partir da provocação explorada no trabalho de Dani Amorim- CARNE. Onde ela trabalha em torno do tripé maternidade, corpo e envelhecimento. E também outros trabalhos de performance inspirado em trabalhos já realizados por outros artistas e que Daniela e Karine Telles experimentaram.

 

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Conversa com Dani Amorim para Manuela Campos que está fazendo o Webdoc NORA concedida no final do ciclo de conversas sobre feminismo que a Dani Amorim participou.

 

Video Publicado no site do TEMPO FESTIVAL em 2014 onde Daniela Amorim e Karine Telles falam sobre o processo de CARNE.

 

 

 

Comente o que vocês acharam e compartilhem conosco que outras artistas para vocês trabalham o feminino, o feminismo, o corpo.

 

 

 

 

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Sobre a espada de Madureira atravessada no peito da minha garganta

Escrito por Joana Lerner,  após entrevistar mulheres no Mercado de Madureira.

Saí de Madureira quase sem palavras. Muitas Sensações não identificadas em palavras. Logo depois das entrevistas, a Diana pediu que eu contasse um pouco da minha experiência para a câmera do  filme/documentário do processo. Nem sei o que falei. Gaguejei mais do que qualquer coisa. Eu preciso de um tempo pra digerir as coisas. Acho que todos nós.

 

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Dois dias depois eu me dei um espaço de tempo pra tentar entender que sensações eram aquelas borbulhando dentro de mim. Espaço de tempo é o que não nos damos. Crescemos na sensação de que não podemos parar. É inútil. Não põe o pão na mesa.

 

O Silêncio incomoda.

 

Tudo que é novo incomoda um pouco, acho. Crescemos sem a presença do silêncio. Crescemos acompanhados de uma turbina ligada no máximo, que nos distrai durante toda a vida. Entramos na frequência dessa turbina e não paramos mais. Esquecemos de respirar até. E sem o espaço de tempo acumulam-se anos em ‘sentimentos e emoções não compreendidos’. Vidas inteiras em ‘sentimentos e emoções não compreendidos’ por nós mesmos. Gerações e gerações de incompreensão. E o que eu vi em Madureira foi isso, muitos sentimentos incompreendidos, acumulados e atirados no buraco negro do peito da nossa garganta. Fica aqui óh, acumulado no corpo. No peito as emoções borbulham e entalam na garganta. Carregamos dia e noite pra todos os lados e sem pensar arrotamos o cheiro de toda essa inhaca densa em qualquer um que passa por perto. Mas a inhaca fica, aqui, entalada na garganta. Sem autorização pra sair.

Em Madureira vi essas mulheres sem autorização pra sentir o que realmente sentem, pra pensar o que realmente pensam, e agir como realmente gostariam, reprimidas por esses acúmulos da não compreensão de nós mesmos. E o que é mais triste; Elas não sabem disso. O acumulo é tamanho que não conseguem enxergar, ou melhor, sentir que não sentem o que realmente sentem.

 

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Uma delas tinha 12 irmãos, foi obrigada a casar com o irmão do seu pai (seu tio) e proibida por ele de trabalhar como professora, seu maior sonho. Teve 3 filhos, apenas um sobreviveu.

Ela diz que a mulher que não quer ser mãe, não sabe o que é amor.

Pra mim essa mulher foi abandonada.

Pelo seu pai.

Pela sua mãe.

Por ela mesma.

Ela realmente acha isso? Ou a vida dela, a cultura, o patriarcado é quem não permitiu que ela sentisse o amor além do filho?

Assim como essa, vi outras vidas inteiras escorridas pelo ralo.

 

*

 

Vejo uma mulher sozinha no cinema e penso – “coitada”.

Por que?  Porque eu penso assim?  Eu penso assim?

 

 

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