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Duda Maia e o processo de criação de movimento

Durante o processo de pesquisa de NORA nós tivemos conosco a preparadora corporal e diretora de movimento DUDA MAIA que auxiliou as atrizes na verticalização da pesquisa corporal em torno da questão da mulher.

A Manu Campos diretora do WEBDOC NORA acompanhou tudo e fez esse video pra vocês conhecerem um pouco de como foi esse trabalho!

 

Espero que vocês gostem, deem sugestões e comentem aqui embaixo!

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Nora ainda láááá em 2009.

Escrito por Diana Herzog

Em 2009 comecei a escrever cenas para o projeto Nora. Uma delas é inclusive entrou pro Nora agora de 2016. As outras cenas, são cenas, que na verdade ainda não ganharam cena. São cenas que ainda não sei bem o que fazer, mas gosto muito. Apontam diversos caminhos, outras possibilidades, que possam até no futuro descolar da Nora. Mas por ora, compartilho com vocês uma das cenas. A cena 3, que já começa com ele sentado, depois de uma briga, um encontro violento. Depois de algumas fraturas.

E mais pra frente publico a cena 2. Talvez facilite o sentido ou não, mas na verdade não importa.

Cena 3 

 

Ele fica sentado, por alguns segundos até se perceber boneco, mas agora já se sente outro.

 

Ele – Eu quero sugestões. Alguém tem um nome, qualquer nome, não precisa ser conhecido, não precisa ser original. Hein, alguém… você alguém quem é? Qual é o seu nome? Eu nunca pensei pra que servia um nome, além do objetivo óbvio e comum – i-den-ti-da-de, i-den-ti-fi-ca-ção. Hoje desejo um nome, acho que eu poderei estar alguém através dele. Me encontrar e não me identificar.

 

Mulher outra, com outro estado. (pode ser a mesma ou outra atriz) Despojada, confiante, sardônica, ocupa todo o espaço com sua presença, ela está. Essa mulher entra com um microfone na mão, cantando (música a decidir), canta para o público, interage com um ou outro espectador, seduzindo, não importa se é homem ou mulher. Ela também canta para Ele, mas ele não a enxerga, nem a ouve.

 

Mulher – Eu procurei no dicionário, sinônimos da palavra identidade, achei que vocês poderiam achar interessante. Eu achei interessante. É interessante pensarmos nas conotações, sei lá a gente passa uma vida se definindo, buscando uma identidade. Vamos-lá, preciso me conter, sou capaz de ficar aqui falando com vocês qualquer coisa, com sentido ou não. Foco.

 

Mulher tira de sua bolsa (pode-se pensar em outra possibilidade)placas com as palavras, e mostra para o público, enquanto declama cada uma respectivamente.

 

Mulher – Identidade – Analogia – Carteira – Coincidência – Comunidade – Igualdade. Identidade sempre em relação a algo que está fora.

 

Ele – Você tem um nome que me ache? Você não gostaria de tentar me achar? Não adianta, seus nomes não me encontram. Eu tento um olhar para dentro, vejo fragmentos de letras, silabas, marcas e cores que surgem entre grãos de areia. Pode ser que meu nome venha de lá, lá longe, lá dentro. Um nome, alguém tem um nome… (silêncio)

 

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Mulher – Ele precisa de um nome. Qual nome. Ele escolhe? Mas se ele não escolher quem decide, quem sugere, quem namora um nome?

 

Ele – Alguma sugestão? Um nome?

 

Ele abre pastas que estão cheias de letras avulsas, joga tudo no chão, tenta organizar, brinca com as letras e suas possibilidades na busca de um nome. No quadro atrás ele prega as letras, a platéia lê combinações que não fazem sentido. Ele permanece nessa ação.

 

MulherEle não é ela, ele não é ela vestido dela. Talvez ele possa ser ela, quando ela quer ser ele ou até outro, mas não ela e não mulher. Ele senta como homem, como mulher, senta estando, senta com presença, perplexo não consegue, possivelmente nunca soube um nome.

 

Ele – Burg… Trrivs… um nome… Eu me chamo alguém. Alguém tem um nome? Alguém com a mais boa vontade, poderia me sugerir alguém. Talvez alguém que já exista, ou já existiu. Um nome, eu alguém não sei quem já fui, não sei se já fui alguém, não sei que sou, ou se sou alguém. Um nome de ninguém pode ser um nome para mim, para o meu alguém que ainda é ninguém, ainda não é eu. Eu sou ele. Eu estou alguém em ninguém. Ugko, jern…

 

Mulher – Com certeza ele não sabia o nome dela, nunca tinha pensando na importância ou talvez no valor de um nome. Ele era capaz de sentir o cheiro dela mesmo que vindo de outra cidade. Ele que ainda não tinha um nome e nunca soube o nome dela, através de suas camadas mais superficiais vibrava em harmonia com o corpo dela, e vibrava dessa maneira só com o corpo dela. Sua capacidade de experiência ultrapassava a necessidade de um nome. Nome era para os outros, para aqueles que não se entrelaçavam, não se emaranhavam, ele não precisava de um nome até hoje, até agora. Agora que ela foi embora, ele não sentia mais cheiro, seu corpo não vibrava, não harmonizava mais. Um corpo em caos. Ele nunca precisou do nome dela, ele não precisa mais do nome dela afinal ela já não é mais ela, não aquele ela com ele, e ele não é mais aquele ele com aquele ela. Quem é ele agora? Ele quer um nome, ele precisa de um nome, ele quer se ver dentro.

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Ele continua brincando com as letras, emitindo sons de possíveis nomes.

 

Mulher – Que tal Alfredo ou Jacques. Isso Jacques, Jacques é bonito, soa elegante, JACQUÊS (sotaque francês), nossa eu adoro francês, é lindo! Jacques, pronto.

Mulher vira para ele e fala alegremente.

 

Mulher – Jacques, querido!

 

Ele continua naquela mesma ação, não ouve a mulher.

 

Mulher – Jacques! Você não queria um nome! Eu escolhi. Jacques querido, presta atenção. Pára Jacques, pára de mexer nisso, fica quieto. Jacques, Jacques, Jacques.

 

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Sobre a espada de Madureira atravessada no peito da minha garganta

Escrito por Joana Lerner,  após entrevistar mulheres no Mercado de Madureira.

Saí de Madureira quase sem palavras. Muitas Sensações não identificadas em palavras. Logo depois das entrevistas, a Diana pediu que eu contasse um pouco da minha experiência para a câmera do  filme/documentário do processo. Nem sei o que falei. Gaguejei mais do que qualquer coisa. Eu preciso de um tempo pra digerir as coisas. Acho que todos nós.

 

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Dois dias depois eu me dei um espaço de tempo pra tentar entender que sensações eram aquelas borbulhando dentro de mim. Espaço de tempo é o que não nos damos. Crescemos na sensação de que não podemos parar. É inútil. Não põe o pão na mesa.

 

O Silêncio incomoda.

 

Tudo que é novo incomoda um pouco, acho. Crescemos sem a presença do silêncio. Crescemos acompanhados de uma turbina ligada no máximo, que nos distrai durante toda a vida. Entramos na frequência dessa turbina e não paramos mais. Esquecemos de respirar até. E sem o espaço de tempo acumulam-se anos em ‘sentimentos e emoções não compreendidos’. Vidas inteiras em ‘sentimentos e emoções não compreendidos’ por nós mesmos. Gerações e gerações de incompreensão. E o que eu vi em Madureira foi isso, muitos sentimentos incompreendidos, acumulados e atirados no buraco negro do peito da nossa garganta. Fica aqui óh, acumulado no corpo. No peito as emoções borbulham e entalam na garganta. Carregamos dia e noite pra todos os lados e sem pensar arrotamos o cheiro de toda essa inhaca densa em qualquer um que passa por perto. Mas a inhaca fica, aqui, entalada na garganta. Sem autorização pra sair.

Em Madureira vi essas mulheres sem autorização pra sentir o que realmente sentem, pra pensar o que realmente pensam, e agir como realmente gostariam, reprimidas por esses acúmulos da não compreensão de nós mesmos. E o que é mais triste; Elas não sabem disso. O acumulo é tamanho que não conseguem enxergar, ou melhor, sentir que não sentem o que realmente sentem.

 

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Uma delas tinha 12 irmãos, foi obrigada a casar com o irmão do seu pai (seu tio) e proibida por ele de trabalhar como professora, seu maior sonho. Teve 3 filhos, apenas um sobreviveu.

Ela diz que a mulher que não quer ser mãe, não sabe o que é amor.

Pra mim essa mulher foi abandonada.

Pelo seu pai.

Pela sua mãe.

Por ela mesma.

Ela realmente acha isso? Ou a vida dela, a cultura, o patriarcado é quem não permitiu que ela sentisse o amor além do filho?

Assim como essa, vi outras vidas inteiras escorridas pelo ralo.

 

*

 

Vejo uma mulher sozinha no cinema e penso – “coitada”.

Por que?  Porque eu penso assim?  Eu penso assim?

 

 

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Sobre o início ou tentativa 1

Minha relação com a Nora começou em 2007 ao ler pela primeira vez a peça Casa de Bonecas de Henrik Ibsen. Lia a última cena e vibrava junto com a personagem que escolhia mudar a própria vida. Eu chorava de emoção (não estou exagerando) com a lucidez da Nora ao entender a importância e urgência de seu auto-conhecimento. Antes de qualquer nome ou função, antes da esposa, da mãe, até da “mulher”, ela precisava se perceber como pessoa, que sente, pensa, escolhe, faz, fala. De alguma forma tudo aquilo que ela falava para Torvald (seu marido) dizia respeito a mim. Fazia um ano que tinha terminado o maior relacionamento amoroso da minha vida até então, e me encontrava num momento de libertação, principalmente num momento de encontro comigo mesma. Pra a falar verdade, foi o meu primeiro encontro comigo mesma (aos 26 anos).

Quando eu ouvi a batida da porta no final da peçadigo ouvi, porque a sensação é de que ouvi mesmo uma batida concreta, seca; uma batida de transição, transgressão e vida, – eu junto com a Nora, estava batendo a minha porta. Nossas transgressões não eram as mesmas, afinal eu não estava deixando marido e filhos em busca de mim mesma. Na verdade tinha sido deixada, por quem eu acreditava um ano antes ser o amor na minha vida, ser a minha completude, acho que até minha salvação. Completude??? Salvação??? Aquela minha relação era a minha fuga de mim mesma. Lembro que dizia pra mim: “Pronto, agora tá tudo certo, não preciso mais olhar pra ninguém, não preciso mais me preocupar. Durante quase quatro anos escolhi sentar no banco da passageira. Achava lindo me definir pela pessoa que havia escolhido para viver o resto da minha vida. Achava lindo um casamento que um se definia pelo outro, um era a metade do outro, uma era a companhia do outro. E no meu caso então, era uma pessoa que eu admirava muito, que achava brilhante, e de alguma maneira eu sentia que tudo aquilo que essa pessoa tinha de especial me pertencia em algum grau, e assim eu também me sentia especial.

Do dia em que fui terminada, digo terminada porque fui mesmo, foi contra a minha vontade, contra meus planos e meu futuro já pré-definido e pré-vivido. Fui terminada, quebrada em pedaços, me senti desfeita, apagada, sem sentido. Falava em querer ser atropelada, estuprada, violentada, na esperança de sentir menos dor. Desse diado dia em que me vi sozinha até o dia em que encontrei Nora, a vida aconteceu, eu aconteci. Aos poucos fui descobrindo as minhas qualidades, os meus prazeres, gostos, a alegria de ser eu, coisa que juro nunca tinha sentido, mesmo. Vivemos num mundo muito duro que nos oprime, e ao ver o encontro de Nora com ela mesma, simultaneamente ao meu encontro comigo mesma, me senti instantaneamente uma Nora. A sensação era de que eu estava subindo o alto de uma montanha e fincando uma bandeira, me senti heroína de mim mesma. É claro que essa sensação passou, até porque a gente finca a bandeira e a vida continua. Eu com meus 26, 27 anos achava que tinha chegado em algum lugar. Tolinha.

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Quase dez anos depois, agora com 36, com alguns encontros e desencontros vividos comigo mesma, Nora e eu continuamos firme e forte. Nesse tempo escrevi 10 cenas, fiz leituras, entrevistei mulheres com a minha prima Fernanda Polacow, li Simone de Beauvoir, achei que poderia me tornar uma Mulher Desiludida”, fui de mochilão para Amazônia sem rumo certo, me apaixonei por Virgina Woolf e pelo livro da Clarissa Pinkola Estes Mulheres Que Correm Com Os Lobos, apresentei a minhaNora numa performance, me apaixonei de novo, casei, adotei uma cachorra (a Xirley), escrevi uma monografia, dirigi e apresentei uma pesquisa cênica, me formei… Calma aí, para tudo! Preciso falar do momento logo antes do início da monografia e da pesquisa cênica.

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Voltemos ao segundo semestre de 2014: Tinha certeza que queria falar do encontro da Nora e do encontro das mulheres com o próprio feminino. Já quase sendo jubilada da UNIRIO (14 períodos em 9 anos), decidi que minha monografia seria a continuação da minha paixão: convidei a Nora para a pesquisa e convidei também a Ana Bernstein para me orientar. E essas duas escolhas me fizeram entender porque eu levei 17 anos para me formar – fora os períodos da UNIRIO foram + 5 na Univercidade + 2 na Estácio + 5 na Universidade da Flórida. Ufa! Até hoje tenho dificuldade de acreditar que não sou mais estudante de graduação, minha carteirinha já já vai vencer.

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No primeiro encontro entre orientanda e orientadora (muita emoção e medo nesse dia), a Ana questionou e desconstruiu tudo o que eu estava propondo, saí de lá desnorteada. Como disse acima, queria falar do feminino, desse encontro com a mulher loba, com a terra, com a lua, com o útero, o ventre, o sagrado feminino, etc… Em questões de minutos ela me deixou sem palavras. Pra quem não me conhece, é difícil me deixar sem palavras, eu tenho o péssimo hábito de falar muito, mesmo quando eu não sei direito, fico querendo emitir minha opinião, tolices de uma mulher de 36 anos ainda bem imatura, mas estou no caminho. Enfim… fiquei sem palavras. Lembro que eu falava com convicção: “… mas porque a mulher é mais sensível, blá, blá, blá” e ela “Por que a mulher é mais sensível?”, eu Porque é uma questão da natureza” e ela “É mesmo?. A conversa seguiu essa linha até eu calar a boca e entender que precisava começar a me informar um pouco mais antes de falar. Quero ressaltar aqui a generosidade da Ana em apenas levantar as questões e não sair me dizendo que eu estava errada por causa disso ou por causa daquilo. Ela não defendeu ideias, não quis me mostrar o que eu devia pensar, mas que eu devia pensar. Coisa que também preciso aprender a fazer, porque eu estou sempre defendendo ideias, ao invés de levantar questões. Mas isso não importa agora, o que importa é que daquele momento em diante ela me orientou, me apresentou pensamentos, artistas, autoras, autores que me deram um nó, nó esse que continuo tentando desemaranhar. E isso é lindo, e isso é bom, e isso é vida.

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Série auto-retrato – 1998 – Melhor Amiga

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Ano passado, o processo da pesquisa e estudo foi um momento de desencontro comigo mesma, um desencontro de uma eu, que eu achava que era fixa, que era forte, que era crítica, que conseguia ter um olhar de fora, que sabia de alguma coisa. Ano passado me perdi de mim mesma, perdi minhas referências, comecei a questionar todos os meus gostos, meu comportamento, minha criação, e foi impressionante como me vi presa num negócio muito pegajoso, grudento que não sai de jeito nenhum (mais tarde vou chamar isso também de patriarcado). As minhas roupas; a minha relação com meu cabelo, com meu corpo; a bulimia que tive dos 17 aos 20; a vergonha de falar com pessoas que eu considero mais importantes que eu; a minha incapacidade de sair de um padrão; o medo de sair da regra, de chamar atenção; a minha constante fuga atrás da minha aparência de menina; o fato de crescer achando que eu era a princesa do meu pai, na verdade ainda achar que eu sou a princesa do meu pai; ter tido rosa como a cor preferida a vida toda e ter achado que isso era uma transgressão; o complexo com a minha orelha na infância; o complexo com a minha altura a vida toda; o complexo comigo mesma; o constante medo de engordar, de envelhecer; o meu corpo dócil despontencializado, servindo a tudo que não eu. Agora percebo que o mesmo medo de me tornar invisível com a idade – sim na nossa cultura mulheres depois de uma certa idade tornam-se invisíveis – esse medo de me tornar invisível, é o que na verdade me mantém na invisibilidade e me faz colar no todo, no outro, no correto, no aceitável, no belo, no padrão, no sistema, no fora que me enfraquece, me fragiliza, me violenta.

 

Nora, tanto a personagem, quanto essa pesquisa, são para mim uma fonte inesgotável de questionamentos e inquietudes. Eu começo a escrevere quando vejo já fui para um lado, já fui para o outro e não cheguei nem perto do fundo. Continuo na beirada.

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Eu ia contar um pouco sobre o processo da
Nora, sobre a oportunidade de poder estender o processo de pesquisa com a ajuda do Viva a Cultura!, ia também falar que tipo de coisas postaremos nesse blog. Porém, são muitas coisas, muito afeto, muitas transformações e desafios, e como vocês já perceberam tenho bastante dificuldade em ser objetiva, quando vejo já foi. Mas como é um blog e o mesmo precisa ser alimentado toda semana, o que não vai faltar é oportunidade pra continuar, e pra falar de outras coisas e assuntos. Não se preocupem, não será o meu querido diário”. Eu prometo!

Na primeira frase lá em cima já deixei bem claro, esse será um espaço de compartilhamento da criação, então veremos aqui não só a minha voz mas as de todxs xs participantes, seja em vídeo, áudio, escrita, desenho, etc…: Cida de Souza, Duda Maia, Elisa Faulhaber, Joana Lerner, Leandro Romano, Lilia Wodraschka, Luiz André Alvim, Maíra Kestenberg, Manoela Campos, Natasha Melman, Priscila Assum e Renata Ravani, Valéria Martins, João Polessa, terão presenças diretas ou indiretas nesse espaço que é para mim especial e que nasce hoje, nasce agora.

E a Nora continua viva e forte e inspiradora depois de bater a porta!

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Sobre Projeto Nora

Projeto Nora é uma pesquisa cênica iniciada como conclusão do curso de Teoria do Teatro da aluna Diana Herzog e tem a personagem Nora da peça Casa de Bonecas de Henrik Ibsen como ponto de partida.

Nora tornou-se um símbolo feminista – mulher não mais como um papel social, como mãe, como esposa, e sim como pessoa, indivíduo. Passados mais de 100 anos da estreia da peça, Nora segue transgressora. O papel da mulher tanto quanto do homem ainda repetem padrões de um sistema patriarcal. Sim, muito já mudou…mas muito ainda se repete.

Fomos as ruas, entrevistamos mulheres, ouvimos suas vozes e histórias tentando entender o que mudou, o que não mudou. Percebemos que independentemente de qualquer mudança, época ou localidade, as mulheres que entrevistamos revelaram um traço em comum – a vontade de falar, de ser ouvida, de compartilhar suas histórias, lembranças e questões. E entendemos que a maior transgressão de todas talvez seja o próprio ato da fala acompanhado da escuta.

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